Quando se
faz necessário relatar minha experiência com escrita e leitura, temos que
fazer uma volta no tempo, nos tempos do ensino fundamental, quando fazíamos o
exame de admissão para ter direito a continuar os estudos na primeira série do
ginásio (atual quinta série), lá pela década de 60, ainda no século passado. De
uma família humilde sem recursos e estrangeiro numa região do Estado cuja
história foi construída com a riqueza do café, uma região de grandes bosques,
grandes casarões dos barões do café, mas também grande áreas desmatadas já
naquela época. Estamos falando da cidade de Taubaté no Vale do Paraíba. O que
me marca nessas lembranças é um gesto simples, mas fundamental para mostrar que
as vezes um gesto pode salvar vidas, pode significar a mudança de rumo para uma
vida inteira vida.
Aluno que
fui como muitos deste país sem o devido suporte familiar tanto na educação como
em muitos outros aspectos, mesmo desde cedo percebi que somente através da
escrita e leitura poderia alavancar a minha inserção num contexto social e
econômico mais sólido e meu esforço desde o início foi recompensado, pois lá no
início ainda em Taubaté, uma professora de nome Maria Helena, que sequer me
conhecia, moradora de uma grande casa no centro da cidade, e eu morando
distante, lá na periferia, me chamou um dia e se propôs a me ajudar
nos estudos, eu deveria estar em sua residência todos os dias das 17 ás 18
horas, foi a partir daquele momento que o meu contato com os livros e a escrita
teve o seu maior valor, marcando o resto dos meu dias, e com certeza contribuiu para o fato de estar hoje nessa atividade que exerço com a grande satisfação.
Por Silvio
Araujo de Sousa - Professor de Geografia