domingo, 21 de outubro de 2012


PRODUZINDO CRÔNICAS


Caro visitante

Estamos postando mais uma  atividade do nosso curso “Leitura e Escrita em Contexto Digital”. Nesse módulo, ao nosso grupo (5) foi determinada a produção de uma CRÔNICA. Sendo assim, cada participante deverá realizar sua produção individual, utilizando-se da seguinte sequência de fatos:
Sequência de eventos retirada de LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 2006. p. 21-22

Os textos podem seguir toda a sequência ou parte dela, desconsiderando algumas ações, alterando outras, acrescentando informações, enfim, fazendo as mudanças que o gênero solicitado exige. Lembrando que cada um tem seu estilo próprio e que cada autor fará sua “leitura” dos fatos, o que ocasionará em diferentes abordagens e perspectivas sobre o mesmo episódio.
No quadro abaixo, apresentamos algumas das principais características do gênero crônica, para que o leitor possa compreender melhor o contexto de produção: 


Gênero
Tipo de relato
Tipo de linguagem
Pessoa do relato
Tipos de palavras características do relato
Crônica
Relato de fatos em ordem decrescente do que se supõe ser a informação mais importante para o leitor.
Uso de linguagens coloquial e literária.
Narrativa em primeira ou terceira pessoa.
Presença de palavras que denotam emoções, sentimentos.


Antes, porém, não resisti ao maravilhoso Mário Quintana e decidi postar este poema, para introduzir nosso trabalho com as crônicas. Ele me fez lembrar do texto “Tragédia Brasileira”, de Manuel Bandeira.

 

Pequena Crônica Policial


Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza…
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida…
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no Céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos,
Sem nada saber de nada…
Com a sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!



Boa leitura! Participe deixando seus comentários!





UM DIA MUITO LOUCO

     
O despertador toca me levanto como de costume, faço minhas atividades rotineiras, mas sinto algo diferente no ar. Não sei o que é. Continuo, pois vejo que estou atrasado. Decido tomar um banho relaxante para despertar-me e tentar livrar meus pensamentos desse ar sombrio que permeava meu amanhecer. De repente, ouço a campainha. Quem será? Já cedo? Não esperava ninguém, mas cordialmente fui até a porta para atender quem quer que fosse. Para minha surpresa, ou talvez espanto, deparo com um corpo estendido bem na minha porta. Olho em torno do corredor e não vejo ninguém, olho de novo e constato que era um corpo, não estava sonhando. Abaixo-me para confirmar o que eu temia, sim estava morto. Mas quem fez isso? Por que tinha de abandoná-lo justo à minha porta? Não o conhecia, não tinha contatos naquela cidade, havia pouco tempo que estava naquele apartamento. O pior estava por vir. Como avisar a polícia, dúvidas começaram a surgir, mas se eu demorasse os vizinhos iriam ver aquele cadáver na minha porta.
         O que pensariam de mim? E como contaria a polícia? O vizinho do apartamento 210 resolveu sair para sua caminhada mais cedo, mas não era dia dele sair para caminhar. Em pouco tempo reparei que ele só caminhava aos finais de semana, mas exatamente naquele dia resolveu sair. Olhou-me assustadíssimo, perguntando o que havia acontecido e se eu tinha alguma coisa a ver com aquela situação. Respondi prontamente que não, que estava tão assustado quanto ele, que fui surpreendido com o toque da campainha. Para me ajudar ele deu meia volta e entrou no seu apartamento, mas antes me deu um recado: ligar para a polícia e me livrar logo daquele problema, antes que os outros vizinhos dessem por conta.
       Resolvi então telefonar para a polícia. A atendente me perguntou qual foi o ocorrido. Passei a relatar a história, mas a atendente não acreditou em mim, pensando ser mais um trote. Desliguei o telefone e busquei ligar para outra delegacia, dessa vez tinha que conseguir, esse corpo ficaria lá até quando? E os outros vizinhos?
       Na segunda tentativa, um policial me atendeu. De novo comecei a relatar a história, já estava ficando nervoso, quando o policial me pediu as descrições do cadáver. Respondi que precisava vê-lo de novo para repassar a informação correta, pois naquela situação não tinha reparado se era branco, que cor e tipo de roupas usava. Solicitei um momento, teria que olhar para aquele corpo estendido a minha porta, mas teria um final. Retornei ao telefone e fiz as descrições ao policial. Ele logo pediu a localização do prédio.
       Dez minutos se passaram e lá estavam três carros de polícia, os investigadores e o carro do IML. Subiram rapidamente ao meu andar. Quando chegaram me interrogaram por longos minutos. Um quarto carro chegou, e foi quando a minha salvação também. Um delegado da Zona Norte portando um retrato falado de um homem, com as descrições exatas daquelas que eu havia descrito avisou que aquele corpo se tratava de um traficante famoso e procurado há anos. Por fim levaram o corpo e eu fui liberado.
       Pensei que aquele dia não acabaria mais. Aquela situação ficaria guardada para sempre registrada em minha memória. Decidi então, tentar amenizar aquelas imagens mudando de casa e cidade.

POR: PRISCILA CRISTINA ANDRELLO






PRESENTE DE GREGO


Como sempre, acordei antes do despertador. Não precisava, pois era sábado, mas o relógio biológico, acostumado à labuta diária, já chamava. Suspendi a cabeça entorpecida, pesada da ressaca da noite anterior e consultei o relógio de cabeceira. Eram quase sete. Levantei-me e arrastei-me até o banheiro, aos tropeços. Escovei os dentes mecanicamente e lavei o rosto, para espantar o sono. Ia aproveitar o clima fresco e agradável para fazer uma caminhada pelo parque.
De repente, escutei a campainha. Enxuguei o rosto às pressas e caminhei até a porta, ainda meio zonza. Destranquei a fechadura, abri e não vi nada. Já estava fechando quando sem querer, olhei para o chão. Instintivamente dei um salto para trás. Pé ante pé cheguei novamente perto da porta e abri, devagar. Fiquei atônita. Um frio percorreu-me a espinha. Na minha frente, na soleira, vi um homem deitado no chão. A expressão dura, tensa; a boca entreaberta, como se quisesse gritar.
Estirei a cabeça e olhei para os dois lados do corredor. Lá fora, os primeiros raios de sol já despontavam. Ninguém. Abaixei-me devagar e toquei o homem com a ponta dos dedos. Senti o corpo frio e rijo. Percebi que era um cadáver. Fiquei assombrada! Como um corpo poderia ter vindo parar na soleira da minha porta? Olhando mais atentamente, percebi um papel, dobrado duas ou três vezes e colocado propositalmente no bolso da camisa, de forma visível. Estiquei a mão e puxei-o com a ponta dos dedos. Desdobrei-o trêmula, quase tão gélida quanto o cadáver que estava à minha frente e li o bilhete. As letras desenhadas e uniformes diziam: “Presentinho. Faça bom proveito!”. Sobressaltada, deixei cair o papel quando dei outro salto para trás. Dessa vez, derrubei o vaso de cristal, delicadamente ornamentado com os lírios que eu tanto gosto, e que ficava num antigo aparador, bem na entrada. Segurei a cabeça entre as mãos, sem poder acreditar naquela situação.
Tentei me controlar e cheguei perto do corpo novamente, dessa vez buscando fazer um exame mais minucioso. O homem aparentava cerca de 40 anos, era moreno claro, bonito. Os cabelos negros pendiam-lhe displicentemente sobre a testa. Vestia jeans e uma camisa azul clara, sapatos esportivos. Percebi que não o conhecia. “Mas quem será, meu Deus e quem o deixou aqui?” Como se pudesse me desfazer de vez daquela cena, num ímpeto, fechei a porta.
Caminhei pelo pequeno apartamento, andando em círculos, sem saber o que fazer. A cada passo, ficava mais ofegante. Parei perplexa. Sentia-me exausta, como se todas as minhas forças estivessem se esvaindo... Joguei-me na cama. O que eu poderia fazer? Dar um fim no cadáver? Levá-lo para outro lugar? Ligar para a polícia? Pensei um pouco. Definitivamente, esta última seria a melhor solução. Mas como eu iria explicar tal situação? Melhor contar a verdade.
Num sobressalto, levantei-me da cama e fui até o telefone. Disquei para a central de polícia e, em meio a informações confusas e reticentes, tentei explicar que havia um cadáver na minha porta.
Os minutos pareciam horas. Estava ansiosa pelo momento daquilo tudo acabar. Fui até a janela, puxei levemente a cortina e espiei pela fresta. Tinha a esperança daquilo tudo não ter passado de um pesadelo ou de um delírio. Pude ver uma parte do sapato, todo raspado, como se tivesse sido arrastado. O morto ainda estava ali!
Finalmente a polícia chegou. Fizeram-me muitas perguntas: se o conhecia, se o havia matado, se havia visto quem o deixara ali, se havia mexido no corpo, se havia encontrado alguma coisa com ele ou perto dele... Lembrei-me do bilhete no bolso da camisa! Percorri o apartamento a fim de buscá-lo, pois nem tinha percebido onde o havia deixado cair. Entreguei-o à polícia.
O investigador disse-me que tinham a suspeita de quem poderia ser o homem. No dia anterior, uma senhora havia comparecido ao 21º. Distrito Policial para dar queixa do desaparecimento do filho, que costumava visitá-la diariamente e que já há dois dias não aparecia. Suspeitavam de crime passional, mas que não me ausentasse, pois teria que prestar depoimento. Levaram o corpo.
Dias depois, recebi uma ligação do policial. Ele esclareceu-me que, de fato, havia sido um crime passional. A esposa, privada de sentidos e de sanidade, matara o marido ao descobrir que ele mantinha um relacionamento, paralelo ao casamento, há dois anos. Confessara o crime: fora envenenamento. Viu-o agonizar, impassível, bem na sua frente. Matara-o e julgava tê-lo deixado na porta da casa da amante, mas errou o apartamento. O meu era o 306, mas seu alvo era o 308.
Desliguei o telefone, fui até a varanda e respirei aliviada, a plenos pulmões. Acendi um cigarro e dei um trago. Tão efêmera a vida sobre a Terra...

POR: PATRÍCIA FERNANDA MORANDE






TUDO ACABOU EM PIZZA
   

       Foi uma semana daquelas. Programei meu final de semana como se fosse o último. Eu e meus amigos faríamos um delicioso churrasco para comemorar a reforma da casa da minha amiga Sandra, piscina e chalé.
     Fui dormir muito tarde após preparar todos os aparatos que coube a mim, levar.
     Acordei com o despertador tocando irritavelmente. Olhei para ele, hora de levantar mesmo.
     Fui ao banheiro, preparando-me para a piscina, descolorindo os poucos pelos que possuo, mas que aparecem. Ao terminar, ouço a campainha. Enxugo minhas pernas rapidamente, coloco um vestido leve e velho e vou até a porta para abri-la.
     Antes de abrir a porta, tive uma sensação muito estranha, isso acontece comigo muitas vezes, e hesitei ao abri-la, mas abri.
     Quando dei por mim, não acreditei naquilo que encontrei; um homem caído na soleira da minha porta. Rapidamente olhei pelo corredor e não havia ninguém, nem o elevador havia sido usado e fiquei sem saber o que fazer.
     Trêmula, abaixei-me vagarosamente perto do corpo e o toquei para ver se estava vivo, embora sua aparência já pálida e sem vida; era um cadáver, sim um cadáver na porta do meu apartamento.
     Levantei-me, as pernas tremiam, suava frio e não sei até hoje como consegui chegar ao telefone. Liguei 190 e gaguejando, falei com um policial que me atendeu com muita calma ao perceber o meu nervosismo.
     Contei o que havia encontrado na porta do meu apartamento e depois de algumas perguntas, pediu para que eu não saísse do meu apartamento, não tocasse no cadáver que a polícia já estava a caminho.
     Quando chegaram, viram que, embora estivesse emocionalmente muito abalada, teria que acompanhá-los à delegacia para dar um depoimento sobre o ocorrido. Antes de sair, lembrei-me do churrasco e liguei para Sandra, que logo avisou nossos amigos.
     Ao chegar à Delegacia, qual foi a minha surpresa, todos os meus amigos já estavam lá para me apoiarem.
     Dei meu depoimento e fui orientada a não sair da cidade.
     Voltei para casa ainda abalada, mas amparada pelos amigos e como não faríamos mais o tão esperado churrasco, pois já era noite, pedimos uma pizza e passamos a noite tentando imaginar o que poderia ter acontecido.
     No dia seguinte, pelo jornal, fiquei sabendo que aquele homem era mais uma vítima da violência que está ocorrendo aqui em São Paulo.

POR: SANDRA REGINA GRATON MARCELLO




SAINDO DA ROTINA

Acordei bem cedo como era de costume aos domingos. Meus olhos despertavam sempre antes das sete para poder aproveitar bem o dia. Conferi num olhar um pouco preguiçoso o relógio que ainda não havia despertado, só para saber se não tinha saído da rotina. Levantei lentamente, pois a canseira da semana insistia em não me abandonar. No banheiro a água fria fazia com que os pingos da água parecessem dedos a me cutucar rapidamente para me despertar.
Rosto lavado, dentes escovados. Muito animada os planos para o domingo já surgiam em minha mente, quando de repente sou interrompida pelo soar da campainha. Me enxugo rapidamente e pego a primeira roupa que acho no banheiro,uma camiseta velha  que ainda insisto em guardar. Caminho até a porta com a pergunta na minha cabeça: "Quem é capaz de acordar mais cedo que eu em pleno domingo?" Destranco a porta com um ar de medo, desconfiança. Ainda tento ver pelo olho mágico, que de mágico não tem nada a não ser distorcer as pessoas, mas não vejo absolutamente nada. Abro a porta e fico perplexa com o que vejo. Um grito sai instantaneamente do fundo de minha alma. Estou aterrorizada com a cena. Fico paralisada, só meus olhos correm por  toda a volta , mas nada vejo. Abaixei e toquei aquele homem esticado em minha soleira. Estava totalmente frio, já rígido ,com certeza fazia já algum tempo que estava ali. Nenhum sinal de violência pude ver. Somente aquele corpo ali, sem explicação. Quem era aquele homem ? O que aconteceu?
Muitas perguntas caíram sobre mim. Minha primeira reação foi correr para o telefone e ligar para a central de polícia. Contei o fato quase que sem respirar, em uma única fala, pois meu desespero era total.
Rapidamente a polícia chega, quase  ao mesmo tempo que a população de todo o bairro. O corpo é examinado minuciosamente pelo policiais e levado para o IML. Aquela multidão toda me olhando como que se eu fosse a culpada. Nunca imaginei tal situação.
Muitas perguntas. Respostas aos prantos. Os policiais estavam fazendo seu trabalho, mas eu que culpa tinha?
Horas depois, ainda na minha casa, tomada por policiais, chega minha salvação. Um investigador com as respostas para todas aquelas perguntas que a mim haviam sido feitas. Uma pequena carta escrita de próprio  punho pelo defunto, minutos antes de morrer, justificava o fato. Por um amor não correspondido, uma grande porção de veneno por ele havia sido ingerida. Naquele momento cai no sofá aliviada, tirando todos aqueles olhares suspeitos de cima de mim. Estava leve. Até que enfim meu domingo poderia voltar ao normal

POR: PATRÍCIA FERNANDA BUENO PASQUALINO




UM DIA DE CÃO

Estou aqui pensando sobre como escrever um crônica, olho para um lado olho para o outro e meus pensamentos parecem amortecidos, sob efeitos de um dia que começou cedo, muito cedo para um feriado... levantei com muita dificuldade as 8 horas, porque para meu corpo e cérebro é sempre horário de inverno, e já me imaginei na praia pegando altas ondas, mas me lembrei que no dia anterior fui escalado pela minha sócia, diretora e esposa para fazer uma limpeza e organização na área de serviço. 
Começo o meu trabalho lentamente, meu cérebro ainda dorme, porém é despertado por gritos de pessoas e latidos de cachorros que demonstram pela intensidade não ser um diálogo amistoso, vou até a janela e deparo com aquela cena, uma cena típica de humanos, mas aquela estava acontecendo no mundo canino, não acreditei, devem ter aprendido com os humanos, isso não é verdade, e a cena é sangrenta, você precisa ser forte para continuar essa leitura, se não se sentir forte o suficiente pare aqui.
A cena envolvia 6 cachorros e duas mulheres, cujas vestes já estavam sujas de sangue que esvaia daquele pobre coitado, dois dos cachorros mantinham o cachorro vítima preso ao solo, enquanto os outros dois iam mordendo tentando arrancar pedaços, as mulheres gritavam e tentavam puxa-los, sem sucesso, da janela de onde eu estava, sai as pressas, descendo as escadarias do prédio e mais um espaço de aproximadamente 60 metros, depois ainda destravar o portão, seguir correndo mais 40  metros tudo isso em poucos segundos e, após muito esforço e uso de expressões não traduzíveis textualmente conseguimos libertar o coitado, que todo esfolado saiu em disparada em uma direção, enquanto seus algozes iam em outra direção. E assim foi o dia em que senti uma mistura de São Francisco de Assis com Usain Bolt.

POR: SILVIO ARAÚJO DE SOUSA



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